Aina - The Beast Within



Finalmente consegui o videoclip de Aina. Já tinha feito referência a esta banda em Maio num post sobre o estilo de música que fazem! Agora aqui está o som...

Labels:

Finito

Sendo assim, depois de três noites de festival muito diferentes das de anos anteriores, quer pela companhia quer pela aventura televisiva, qual o balanço final?
Houve algumas falhas em termos de organização do festival. A zona de alimentação era reduzida, quer em espaço quer em opções. Houve um predomínio da fast food, o que convenhamos, após três dias de festival se torna excessivo. Não se compreende como não existem ainda outras opções, que permitam refeições mais ricas e saudáveis. Não que seja de esperar encontrar uma marisqueira no recinto (para mim era como ter um pavilhão vazio tendo em conta que aprecio tanto marisco como um Hino do FCP…) mas para um festival que ambiciona tornar ou manter-se como referência europeia, o factor alimentação não pode ser ignorado.
Ainda mais grave foi o reduzido número de caixotes do lixo no recinto. Para além de alguns contentores em plena zona de alimentação não havia mais locais para deixar o lixo, fosse ele um copo ou um rasta em estado avançado de degradação... É certo que no dia seguinte o recinto estava limpo. Apesar das quantidades industriais de copos, guardanapos e etcs serem recolhidas na própria noite não deixa de ficar patente um certo laxismo por parte da organização neste sentido.
No sector do entretenimento pós palco principal, parece-me que simplesmente transpor os concertos para um palco menor não tem o resultado pretendido. É certo que, no último dia, os Selfish Cunt, mostraram uma energia e uma atitude que provavelmente mereceria maior destaque em termos de cartaz mas continuar a noite com concertos depois de cerca de 6/7 horas de mais concertos não me parece a opção mais indicada. É certo que as dimensões do recinto não permitiam muito mais mas a existência de 2, 3 tendas com música, animadas por DJs que, seguindo a identidade do festival, teriam que mostrar algum espírito alternativo, parece-me uma solução mais acertada. Relativamente às restantes actividades existentes no festival infelizmente não visitei nenhuma delas. Nem Palco Ruby nem leituras ao ar livre ou cinema. A chuva, a preguiça e a vontade venceram a curiosidade.
Em relação à MTV deve ter ficado patente nos poucos minutos que frequentei as câmeras da estação que o ambiente é, apesar de bem disposto, profissional. Achei apenas curioso que não me tivessem dado algumas instruções tendo em conta que, de repente, e ainda em directo eu podia ter dito ou feito algo possivelmente prejudicial à estação. Ainda assim contei com o apoio total de toda a equipa e mesmo se para alguns eu estava apenas como adereço, para outros pareceu-me que houve momentos, no mínimo, satisfatórios. Surpreendente a descontracção e simpatia do Diogo, invariavelmente insistindo conhecer os convidados do programa ainda antes do “ao vivo”; a energia e irreverência da Mena, bastante mais irrequieta que toda a equipa e a pessoa em quem senti maior descontracção aquando da gravação dos spots promocionais da transmissão do festival; e claro, a minha doce madrinha at MTV, Joana de seu nome, sempre compreensiva e muito atenciosa, quer ainda no arranque do festival quer já no decorrer do mesmo. Não sei como decorreu a transmissão tendo em conta que ainda não tive hipótese de espreitar a gravação feita por alguns familiares mas continuo com a sensação que apesar dos problemas que surgiram correu tudo bastante bem. Principalmente tendo em conta que houve microfones cuja bateria morreu repentinamente em directo (pois, e eu cheguei lá e disse que era o telefone…) e que a dada altura houve um churrasco de M&Ms poucos minutos antes de iniciar a gravação…
As fotos mostram os meus dois grupos no festival, a equipa MTV e os 4 Caipirões (uns mais do que outros) . Excelente o ambiente no recinto e na zona de campismo, onde foi possível contactar com alguns dos restantes aventureiros (e aventureiras!!!) presentes. No regresso a casa ficam três grandes concertos (Broken Social Scene, Bloc Party e Bauhaus), muito boa disposição e os três sorrisos mais doces de 15 dias de merecidas férias: Débora, Andreia e Joana.
Para o ano, repetimos a dose!
(not to be continued!)

3ª Noite

A segunda noite acabou por adormecer com uma energia que não existiu na primeira e, não fosse algum cansaço e a chuva teimosa, teria durado até muito mais tarde. Ainda assim, e graças a um outro vizinho bem regado, foi possível acordar, ainda o Sol ameaçava a noite, desta vez com uma voz tão meiga e pouco rouca que, simpaticamente, foi baptizado como Urso. Ora, o Urso, para além de urrar como um animal ferido, insistia em fazê-lo a menos de meio metro da nossa tenda, o que, convenhamos, não é, vá lá, fofinho de se fazer… O que é certo é que alguém o resgatou para longe e por volta das 11 da manhã já estava tudo acordado para um banho revigorante ao ar livre, enquanto algumas gotas de chuva caíam. Que ninguém pense que éramos aves raras ou destemidos e corajosos festivaleiros (conforme o apreço do caro leitor pela nossa pessoa) … O recinto estava já repleto de movimento, uns para limpezas mais pessoais, outros para limpezas de utensílios (não era eu que deixava as minhas horas de sono para ir esfregar panelas mas cada um tem os seus fetiches matinais…). Assim, e depois de ter secado ao relento qual tapete, rumamos ao centro de Paredes de Coura para reconfortar o estômago e espreitar os jornais diários. Ainda corria o início da tarde e já me tinham contactado para a meio da tarde estar na zona do festival para gravarmos uns spots promocionais da transmissão do festival. Duas horas depois já estava tudo gravado e foi fácil de perceber a diferença entre um directo e algo que pode ser trabalhado e repetido até “sair como deve ser”. Dez minutos e o recado estava dado. Onde é que está a minha carta de profissional!?
Mais uma vez, e apesar de ter ouvido os Cat People ao longe (tenho a sensação que não perdi nada de significativo), as duas primeiras bandas foram sacrificadas. Havia que arrumar tudo para no dia seguinte o regresso a casa ser o mais rápido possível e havia que forrar o estômago para a última noite. Infelizmente, ficou tudo resolvido ainda a tempo de assistir ao concerto dos (aaarghhh…) Maduros. Zé Pedro (Xutos e Pontapés), Alexandre Frazão (GNR, Três Tristes Tigres), Jorge Coelho (Zen e Mesa), Pedro Gonçalves (Dead Combo) e Fred (Bullet e Yellow W Van) formam (ou formaram) a pior banda que passou pelo festival. É certo que o aviso chegou logo no início da actuação. Zé Pedro, sem demoras, explicou que aquele concerto e a reunião daqueles músicos era sobretudo um acto de divertimento, de libertação. Ora, espero que pelo menos eles tenham atingido o objectivo porque a julgar pelos aplausos ouvidos assim que foi anunciada a última música, não me parece que os milhares de espectadores que estavam no recinto tenham sentido o mesmo. O som não era muito mau mas as letras eram demasiado más até para uma banda que surgiu apenas com o propósito de se divertir. Mais, uma banda que tem como vocalista o Zé Pedro ganha tanto em som e melodia como um discurso do Ribeiro e Castro durante um concerto do Rodrigo Leão. Até mesmo a única música gravada da “banda”, uma versão dos The Clash, foi demasiado má para ser digerida… Um som daqueles à refeição… Alguém me passe um Primperan, fáxabour...
Felizmente, o alinhamento trazia logo a seguir os repetentes !!! (Chk Chk Chk) que não desiludiram tendo em conta que, mais uma vez, a energia inesgotável dos músicos em palco foi totalmente recebida pelo público sedento de música e cansado de sons “maduros de podre”… Apesar de a determinado momento o som e as músicas seleccionadas se terem tornado repetitivas, o concerto foi um óptimo elixir para revitalizar milhares sedentos de boa música e ritmo. Mesmo com pequenas ameaças de chuva! Minutos depois do fim do concerto, Nic, o vocalista da banda apareceu na zona da MTV e ainda teve a honra de receber um café das minhas mãos. Foi o único visitante MTV que mereceu dois seguranças para atravessar os 5 metros que separavam a zona de transmissão da saída da zona VIP…
Os senhores que se seguiram tinham nitidamente muitos à sua espera (as vestes de muitos denunciavam-no) mas, depois de conhecer a música que fazem e de ter assistido ao seu concerto espero não ter que repetir a dose. Não discuto a possibilidade de os The Cramps serem lendários mas o som que se ouviu já não mora nos dias de hoje (apesar da influência assumida em bandas como os White Stripes). A própria postura da banda, supostamente provocatória e implicitamente sexual, já não surte efeito e provocou em mim várias gargalhadas. Assim, como se estivéssemos a assistir a uma entrevista ao Valentim Loureiro... Classificaram o seu próprio som como rockabilly voodoo… Actualmente, qualquer feitiço lançado por estes senhores não deve passar de uma simples comichão no nariz!
Entretanto, a Aventura MTV tinha chegado ao fim e era vísivel no rosto de toda a equipa um alívio mas também um orgulho no trabalho desenvolvido nos últimos 3/4 dias. Despedidas feitas, com direito a foto de família (próximos capítulos), arranquei para o grande concerto da noite e para um dos melhores de todo o festival. Peter Murphy e companhia já tinham passado este ano pelo nosso país mas apesar disso não se notou qualquer tipo de cansaço ou saturação por parte do público (ao contrário de determinadas bandas que chegam a ter que cancelar concertos em determinados Pavilhões Atlânticos…). Foi o concerto mais cuidado em termos de imagem que passou pelo palco de Paredes de Coura, quer pelo jogo (simples, diga-se) de luzes, quer pela transmissão a preto e branco difundida écrans gigantes existentes no recinto. Foi, para além disso, um dos poucos concertos que acredito que tenha angariado mais apreciadores para os registos próximos da banda. A voz de Peter Murphy continua profunda e capaz de, com um único acorde, transmitir muito mais do que a grande maioria das bandas em toda a carreira. O concerto teve momentos brilhantes e até desconcertantes. A certa altura, o público entoava uma das canções da banda, à chuva, com dezenas de telemóveis e câmeras ligadas, transformando Coura num cenário quase… religioso!! Grande concerto, capaz de confortar as milhares de almas que resistiram em frente ao palco, na noite mais escura e chuvosa do festival. Ficou a curiosidade de ver Peter Murphy a solo cá pelos nossos palcos… (Aqui um pequeno excerto… Cobre-me o quê!?)

(to be continued…)

2ª Noite

A chuva chegou veio com Morrissey até Paredes de Coura e esporadicamente foi fazendo algumas visitas durante a noite. A tenda suportou as gotas mais fortes mas houve quem não mostrasse a mesma resistência face a gotas de outros líquidos mais… espirituosos o que implicou alguma ajuda da nossa parte. A meio da noite lá estivemos nós a tentar resgatar um vizinho das tempestades do álcool enquanto sabíamos as histórias do dia de cada. Ao despertar, a chuva e o vento insistiam que não era boa ideia continuar pelo recinto muito menos para passar pela zona dos duches… Sendo assim, nada como uma visita regeneradora a casa para um duche rápido e para recolher alguns adereços com uma capacidade de agasalhar superior à das t-shirts escolhidas para me acompanharem no festival.
Regressados e está tudo pronto para mais umas transmissões live e dois dos concertos mais aguardados do festival: Yeah Yeah Yeahs e Bloc Party. Antes de tudo isso ainda houve hipótese de ver o concerto dos Eagles of Death Metal, que, ou muito me engano, não devem durar muito mais tempo. É certo que se trata de um projecto que já vai no segundo trabalho e que conta, convém não esquecer, com Josh Homme, um dos Queens of the Stone Age, mas ainda assim não me parece que tenha muitas bases para avançar muito mais. Aliás, bases não faltam, são as do rock puro e simples, mas é só disso mesmo que se trata. Este projecto não traz consigo nada de original, de novo, a não ser muita vontade de entreter e, nesse sentido, o objectivo foi cumprido. Houve incentivos ao público e este respondeu sempre que foi solicitado. Mas a noite pertencia a outras vozes e este concerto não passou de um simples aquecimento…
Os senhores que se seguiram foram apresentados vezes sem conta como um dos exemplos de inspiração para bandas como os Franz Ferdinand ou os !!! e talvez por isso tenha ficado muito surpreendido com o que estes senhores apresentam em Coura. Aliás, basta referir que o momento alto da sua actuação foi a destruição de um micro ondas durante uma das canções… O martelar (era um bastão de baseball…) a acompanhar o ritmo da música não é algo que estimule o meu apreço por bandas de música... No momento em que estes senhores resolveram abandonar o palco já eu estava preparado para mais um ataque aos écrans televisivos, vestido de padre.
Quando os Yeah Yeah Yeahs arrancaram era vísivel que o recinto estava pronto para um dos momentos altos do festival apesar de achar que o alinhamento acabou por não favorecer o concerto da banda. Imparáveis em palco, é certo, mas perdeu-se um pouco a meio e nessa fase foi perceptível que bastavam umas pequenas gotas para empurrarem grupos de dimensão significativa para zonas mais abrigadas e afastadas da zona dos concertos. Ainda assim, os aplausos finais fizeram justiça à entrega da banda e à hora e meia de concerto, de boa música diga-se, que acabou por superar o super ego de Morrissey…
O concerto que se seguiu foi um dos três melhores momentos de todo o festival e justifica o rumor de que para o ano os Bloc Party estarão, se não em Paredes de Coura, pelo menos num outro festival nacional. Antes, tinham já passado pela zona da MTV, onde ainda pediram para espreitar o concerto dos Yeah Yeah Yeahs (não tiveram muito tempo tendo em conta que havia que continuar a transmissão live mas provavelmente não teria sido má ideia utilizar a presença de 2 dos Bloc Party e integrá-los na transmissão…). O concerto foi energético, formando-se uma empatia imediata entre o público e Kele Okereke, o vocalista. O recinto transformou-se numa pista de rock dançável onde a chuva era um simples adereço para as muitas câmeras que disparavam e filmavam no recinto. Apetecia mais, pelo menos mais meia hora de pura descontracção ao som dos Bloc Party que comprovaram, mais uma vez, que um bom álbum, quando bem explorado, pode dar um grande concerto (“Two more years” e “So here we are” foram hinos à chuva). Para o ano há mais? Esperemos que sim! Para além de “Silent Alarm” a banda tocou também alguns dos sons a incluir no novo álbum (visitem o site da banda, seleccionem o Journal e ouçam “Song for Clay” no festival). Mas também vos aconselho a passar por aqui e aqui (são da casa!)...

(to be continued…)

1ª Noite


O primeiro dia do festival trazia os White Rose Movement, Gomez, Madrugada, Broken Social Scene, Morrissey e Fischerspooner. Se dos primeiros só posso dizer que as opiniões que recolhi foram boas dos segundos só posso dizer que assisti às primeiras 4 músicas e que a vontade de abandonar o recinto não era muita. Apesar disso avancei para um jantar com parte da equipa da MTV para uma cantina de apoio ao festival (um dos muitos exemplos que reforçam o envolvimento da comunidade de Paredes de Coura na organização e no sucesso do festival), para regressar a tempo de ouvir grande parte do concerto dos Madrugada. Conhecendo o som da banda não me parece que o horário da actuação os tenha beneficiado apesar de me ter parecido um concerto, no mínimo, competente.
Entretanto, tinham arrancado os preparativos para a transmissão em directo da MTV e foi já quando estava no palco deste canal de televisão que os Broken Social Scene (na foto), uma das bandas que mais curiosidade tinha para ver, começaram o seu concerto. Apesar de pouco comunicativos com o público, trouxeram um som bastante envolvente, acabando por não limitar o reportório ao álbum homónimo da banda (acho que estive atento…). Segundo as minhas contas, o número de pessoas em palco chegou a ultrapassar as 10, num concerto bastante energético. Muitos esperavam ver repetido o sucesso do concerto dos Arcade Fire no ano passado mas para quem conhece as duas bandas e os seus trabalhos, sabe que o som dos Broken Social Scene se apresenta… digamos, mais sujo, menos melódico e mais desconcertado. O trabalho de cada um dos elementos da banda parece, a determinada altura, desconexo, mas é o conjunto de sons e melodias de cada um que constrói toda a estrutura que sustenta a música irreverente desta banda canadiana. Foi um dos melhores concertos que passou pelo festival e o melhor do primeiro dia apesar de, na minha opinião, uns pontos abaixo relativamente a outros que se ouviram nos dias seguintes.
No intervalo entre os canadianos e Morrissey já eu tinha passado pelos televisores de algumas casas e muitos devem ter perguntado quem era aquele cromo que mostrava uma fotografia dele próprio vestido de padre… Só no segundo dia é que tive hipótese de espicaçar alguns católicos com a heresia de eu vestir uma batina e fazer alguns trocadilhos “do Demo”. Mas foram poucos e isso sim é que foi pecado…
Com Morrissey chegou também a chuva mas foi óbvio que a multidão que circulava pelo recinto estava nesse dia para ver o inglês e ouvir alguns dos seus sucessos a solo e com os Smiths. Chegou a evocar a participação portuguesa no Mundial de futebol, sem nunca deixar de destacar que por cá também não se ganhou nada e mostrou que a chuva não era entrave à sua música tendo em conta que a camisa que vestia foi trocada a um ritmo fora do normal. O microfone aparentemente não estava nas melhores condições e terá sido isso (diz-se…) que irritou o ex vocalista dos Smiths. Ainda com uma música a meio (ou menos, pouco mais de um minuto), Morrissey desapareceu do palco quase tão depressa como Durão Barroso aquando da sua saída do Governo do nosso País. Na minha opinião, se Paredes de Coura não teve em Morrissey um momento de antologia foi por culpa do próprio. Apesar da chuva, o público não arredava pé do recinto e insistia em acompanhar o cantor inglês em muitas das suas músicas. Morrissey teve no seu ego a principal razão para não partilhar, juntamente com os Bloc Party e os Bauhaus, a medalha de ouro de Paredes de Coura 2006. Afinal, nem todas as estrelas resistem à chuva…
Nesta fase da noite, abandonava o palco MTV e depois de 10 minutos de Fischerspooner (os mais atentos terão reparado na pinta de tinta verde que o senhor levou consigo depois de passar pela zona da MTV…) e uma ou outra visita ao quiosque do Licor Beirão (quantas foram afinal!?), era hora de arrancar para a tenda e descansar. O dia seguinte prometia…
(to be continued...)

Festival Heineken Paredes de Coura 2006


Não sei ao certo a que horas foi mas tenho a certeza que foi ao início da tarde do dia 9 de Agosto que alguém me ligou e disse: “Olá João! Eu sou a Joana e estou a ligar-te da MTV Portugal…”. Da MTV Portugal!? Bem, ou era piada ou engano… “Tu foste pré seleccionado para seres o nosso Assistant no Festival Paredes de Coura e queremos saber se continuas interessado.” Então eu envio uma fotografia minha disfarçado de padre, em pleno Carnaval e seleccionam-me!? Não me saía do pensamento a célebre frase do Woody Allen: “Não sei se quero pertencer a um clube que aceita pessoas como eu.” Nem consegui perceber se devia sentir entusiasmo, nervosismo ou se devia continuar a desconfiar daquela possível partida. Prolonga-se a conversa e confirma-se que não é brincadeira. Eu podia acompanhar a equipa da MTV durante a transmissão do festival e até participar na mesma. Isto mais bilhete, alojamento e alimentação durante todo o festival. Bem, sendo assim, qual é o problema de juntar mais uma aventura a umas férias desesperadamente curtas!? “Claro que estou interessado!”, disse ainda hesitante e sem sequer conhecer de facto qual seria o prémio. Eu que até já tinha bilhete e tudo combinado para o Festival… Seja como for ficava adiada para o dia seguinte a divulgação do vencedor do passatempo. Dia 10 chegava a confirmação e eu tinha sido seleccionado! Mais uma vez, Paredes de Coura prometia ser um festival irrepetível, pela música e, sobretudo, pelo factor “Live at MTV”…
Dia 15, um dia depois de ter passado pelo recinto para montar a barraca para albergar 2 festivaleiros que foram comigo, lá estava eu, a meio da tarde, pronto para receber o meu bilhete e a minha pulseira free-pass. “Peço desculpa, mas o seu nome não está na lista!”, responderam-me. Admito que a hipótese de ter levado um baile escandaloso ainda me passou pela cabeça, mas a minha “madrinha at MTV” salvou-me e explicou-me como resolver o problema: era só tentar no guichet ao lado…
E assim, começou a aventura! Das transmissões em directo, de trabalhar (talvez cooperar seja o verbo mais adequado) com uma equipa completamente desconhecida (sim, os apresentadores não eram completos estranhos mas já não estavam dentro da caixinha onde os costumava ver…), de assistir aos concertos durante um festival num local bastante diferente do habitual... E foi curioso comparar a realidade à percepção (errada, diga-se) que eu tinha do ambiente de um festival vivido por uma equipa responsável pela transmissão do espectáculo. Se a minha imaginação estivesse certa, tinha encontrado uma equipa desinteressada, pouco profissional e, sobretudo, sob o efeito do álcool! A percepção que eu tinha era exactamente essa: Sex and drugs and rock & roll live on TV. Puro engano. Encontrei uma equipa responsável e profissional, que conhecia o risco do directo e sabia reagir quando algo falhava ou não seguia o trilho programado. Nos próximos posts prometo mais detalhes…
Sendo assim, toda a avaliação feita aos concertos foi realizada num ponto do recinto onde, para além de ter hipótese de visualizar as actuações a tempo inteiro (as participações no directo nunca implicaram perder mais do que dois minutos), podia verificar como se movimentava o público e a sua reacção a cada uma das bandas. A parte menos positiva foi o facto de ter perdido a actuação das primeiras bandas de cada dia. No primeiro dia, consegui assistir ao início do concerto dos Gomez (que me pareceu bastante positivo) mas os White Rose Movement, Vicious Five e Cat People, primeiros no alinhamento de cada um dos dias, não fizeram parte do meu cardápio. E apesar disso, não senti falta de mais bandas. O festival tinha um cartaz com cerca de metade das bandas do festival do Sudoeste mas espremendo cada um deles, o festival nortenho apresentou muito mais conteúdo e sabor.
(to be continued…)

Hora do Silêncio

Aparentemente pode ficar a ideia de que por cá as férias já chegaram e, muito pior (pior, para vossa excelência, gentil e formoso(a) leitor(a) (até quando durará esta secundarização do feminino entre parênteses?!) e com este aparte enorme já não sei o que ia dizer… ah, ok, já sei), que fomos egoístas ao ponto de nem nos despedirmos, sem um “Ate já”, um “Boas férias” ou um outro cutchi cutchi apropriado à ocasião. O que é certo é que as férias ainda por cá não pousaram e isso só acontecerá no próximo e abençoado sábado. Assim, e apesar de os últimos dias terem sido um arrastar de burocracias e desarrumação (a minha pessoa anda a tratar de rumar a outro castelo, mais digno e acolhedor à visita do estimado(a) e sempre formoso(a) leitor(a), decidi preparar um menu musical que me acompanhasse durante os apetecidos e gritantemente necessários dias de férias que se aproximam a uma velocidade digna da que tem sido demonstrada por um qualquer central do Benfica… lentinho!
Como é meu hábito decidi duplicar o meu menu, ou seja, não me chegam 15 canções. Preciso de um alinhamento para aqueles momentos de descontracção, mais aconchegantes, e de outro, libertador, forte e com capacidade de me despertar o espírito. Até porque sei que apenas uma das faces desta moeda sonora não me chegava e misturá-las num só cardápio dava um resultado que já experimentei e sei que não agrada tanto como esta solução bipartida.
Sendo assim, minhas amigas e meus amigos (gosto desta ilusão que me faz acreditar que há muita gente a ler-nos), os meus recortes vão descansar e o silêncio vai dominar nos próximos tempos. Se quiserem, e por mim estejam à vontade, puxem uma cadeira, bebam um copo e acomodados investiguem estes sons que por cá ficam. Garanto-vos que quando ouvirem algumas destas músicas é muito provável que eu esteja a fazer o mesmo. E aí ficaremos unidos por uma onda de música que resistirá à distância, às filas de trânsito para a praia, à música de hipermercado abafada pelo sempre agradável "Sra da limpeza à caixa 5!", aos Kéfrô, às caipirinhas, ao calor e até às músicas da Floribella. Eu bem digo que preciso de férias...
Bons recortes! E melhores silêncios…


CD1 – Sol, calor e corpo

Don’t Stop - Brazilian Girls
Dancing With My Self - Nouvelle Vague
So Here We Are - Bloc Party
Middle of Nowhere - Hot Hot Heat
7.4 Shoreline - Broken Social Scene
In This Home on Ice - Clap Your Hands and Say Yeah
Bullets - The Editors
Life Wasted - Pearl Jam
Watching the Sun Come Up - Ed Harcourt
Woman - John Cale
Hands - The Raconteurs
Wake Up – Arcade Fire
Invincible - Muse
You Only Live Once - The Strokes
A Song for Sorry Angel - Franz Ferdinand and Jane Birkin
Veins - Archive
Solace- The Gathering


CD2 – Maresia, sorrisos e alma

La Plage – Yann Tiersen
Sea Side – The Kooks
My Lover Will Go – Ane Brun
Hold you in my arms – Ray Lamontagne
Upside Down - Jack Johnson
Shoot Me Down – Nick Cave and the Bad Seeds
Left Behind – Zero 7
Come Back – Pearl Jam
Gravel Drive – John Cale
Live With Me – Massive Attack
Song Song Song – Final Fantasy
Face the Moon – Peter Murphy
Life on Mars – Seu Jorge
Book of Life – Hobotalk
Another Night In – Tindersticks
Just Like The Rain – Richard Hawley
One More Time – Stuart Staples
Light the Shade – Xavier Rudd
Loin des Villes – Yann Tiersen