Três amigos, com um conhecimento e "vício" em comum... A música...
Moonspell, Arcos de Valdevez.
Antes de começar a falar sobre o concerto de Moonspell nos Arcos, quero agradecer ao Badseed por ter cedido os bilhetes dele de modo a eu e o Carlos marcarmos presença num belo concerto!
Sem dúvida um dos melhores concertos de Moonspell que vi, se calhar por este ser um pouco mais intimista! Não foi o melhor porque houve algumas falhas! O palco estava muito baixo, foi nescessário mexer no volume do micro a meio do concerto e estavam presentes algumas pessoas que davam a entender que era o primeiro concerto de metal para eles, logo não se souberam comportar pensando que metal é igual a "mochar*" e sendo assim conseguiram pôr-me o braço a deitar sangue de novo!
Mas a razão pela qual este foi um dos meus concertos preferidos de Moonspell deve-se ao facto de o alinhamento ser perfeito! Quando pensei no que poderia esperar, idealizei uma mistura de "Darkness And Hope", "The Antidote" e "Memorial" com recursos a poucas músicas antigas como Opium, Alma Mater e Vampiria... felizmente enganei-me! Não só recorreram a essas três reliquias como trouxeram também a Wolfshade do "Wolfheart", Awake, Mephisto e Full Moon Madness do "Irreligious" e ainda uma música que eu não estava mesmo nada à espera e que para mim foi o ponto alto da actuação... Tenebrarum Oratorium (Andamento I / Erudit Compendyum) do segundo EP deles o "Under The Moonspell" (o meu primeiro CD original de Moonspell), estava assim posta a cereja no topo do bolo!
Para recordar ficam aqui dois videos captados no decorrer do evento,
From Lowering Skies - The Antidote (2003)
Wolfshade (A Werewolf Masquerade) - Wolfheart (1995)
*Mochar - verbo transitivo; cortar um membro a; mutilar; tornar mocho.
Confesso que não li o relatório completo sobre "O bem-estar das crianças nos 21 países da OCDE" apresentado pela UNICEF e grande parte das informações que retive chegaram via televisão e jornal. Este relatório apresenta várias conclusões de assinalar sendo que algumas delas são bastante preocupantes para o nosso país. Segundo este estudo, dos países analisados, Portugal ocupa o último lugar na lista em termos de matéria de bem-estar educativo e bem-estar material das crianças. Salvam-se os pais, aos quais se reconhece uma boa relação e capacidade de comunicação, apenas superada em Itália.
Culpa-se o Estado, a Crise, a Educação, a Segurança Social e restantes eteceteras mas não me apercebi de nenhuma reacção que mostrasse alguma vontade de mudança ou sequer preocupação face aos resultados apresentados. Certamente terão existido comentários “sérios e responsáveis” por parte de alguns deputados da Assembleia ou até de membros do Governo mas não me apercebi que tenha existido um análise mais cuidada do que poderá justificar o resultado verificado na avaliação da UNICEF. É certo que nenhum governo pode estar totalmente refém de avaliações externas mas a dúvida não desaparece se simplesmente ignorarmos aquilo que o relatório defende.
Já esta semana, um outro estudo, cuja origem não sei precisar, afirma que no ano passado, no nosso país terão existido cerca de 1000 casos de trabalho infantil. Desse número, uma parte considerável estava associada a situações de exploração sexual infantil. A minha desconfiança natural leva-me a pensar que estes números se afastam sempre da realidade o que significa que a situação é ainda muito pior…
Comenta-se o quanto se mimam as crianças actualmente e a forma como a maioria das famílias acompanham a vida infantil e adolescente das suas casas mas o que é que diariamente é oferecido à pirralhada? Não me parece que existam as doses maciças de violência e desenhos animados de outros tempos mas na secção televisiva e de rádio há ainda muito a fazer. E quando me refiro a “fazer” não digo apenas promover e transmitir Noddys, TeleTubbies e Rucas porque também se pede um equilíbrio na diversidade do que é oferecido.
Em termos de ficção nacional parece existir uma tentativa de incluir as camadas mais jovens no designado horário nobre, disponibilizando programas e formatos dos 8 aos 80. Programas esses que são passíveis de transmissão quer ao início da manhã, tarde ou noite. E claro que me refiro a programas de ficção infanto-juvenil que têm em “Floribela” o melhor exemplo, cuja qualidade musical me parece estar muito abaixo do que defendo como aconselhável. Mas o que mais me deixa surpreendido é o sucesso que a personagem recebe mesmo nas camadas mais velhas, o que demonstra que este “trabalho” que se defende como absolutamente necessário já devia ter iniciado antes de eu ter nascido (lá no século passado…).
Sempre que ouço os novos sucessos infantis (o que normalmente acontece quando espreito o “Top+” da RTP) encontro nas posições de topo compilações de músicas infantis que me parecem feitas à base de xilofone com 3 teclas. Os arranjos são pobres ou inexistentes e as composições, que podiam ser bastante mais cuidadas, são de tal forma repetitivas e básicas que é natural que qualquer criança adormeça aos primeiros acordes tal é o nível de aborrecimento que aquilo provoca. E ainda assim, vende-se à farta. Actualmente, há uma procura crescente, quase explosiva, no mercado português de tudo que se possa parecer como “música para crianças” o que provoca que, à mínima miragem, a carteira se abra para embalar o menino que descansa em casa.
No entanto, não se julgue que este efeito dos 8 aos 80 é sinónimo de fraca qualidade. Adriana Calcanhoto (ou Partimpim) e Jack Johnson criaram sonoridades bastante apelativas ao público infante e apesar disso convenceram camadas etárias bastante alargadas sem, na minha opinião, sacrificarem a Música que produziam.
Sem querer dei como este vídeo. É apenas uma das músicas que se pode encontrar neste conto musical que em França já é um sucesso: “Soldat Rose”. Escrito por Pierre-Dominique Burgaud e composto por Louis Chedid, já existe em peça de teatro, livro, CD e não me surpreende que já se possa encontrar algo mais. Sinceramente, parece-me um produto bem mais interessante que aqueles que têm sido importados da América Latina e esta música apenas permite comprovar, mais uma vez, que se pode fazer música para crianças com qualidade e que agrada a faixas etárias bem mais afastadas.
Sábado dia 24 é um bom dia para concertos! Se não porque razão estariam os Blind Zero em Vila Real no Teatro Municipal ou os Moonspell em Arcos de Valdevez na Casa das Artes?
Bem, como não me posso repartir e perdi Moonspell no Super Bock Super Rock do ano passado, vou mesmo até Arcos de Valdevez!
Quem quiser um cheirinho aqui fica Luna do último trabalho Memorial:
It truly makes the most beautiful music Everything it has to give It's everywhere hiding the listener Without it I could not live . . . Silence. (Sonata Arctica - ...Of Silence)
(...) - Is there music in space ? - No there’s only silence. - But silence is music ! - Yes, if you know how to listen. (...) (Mandragora Scream - Frozen Space)
Enjoy The Silence [Depeche Mode cover]
Words like violence Break the silence Come crashing in Into my little world Painful to me Pierce right through me Can’t you understand Oh my little girl
All I ever wanted All I ever needed Is here in my arms Words are very unnecessary They can only do harm
Vows are spoken To be broken Feelings are intense Words are trivial Pleasures remain So does the pain Words are meaningless And forgettable
All I ever wanted All I ever needed Is here in my arms Words are very unnecessary They can only do harm
All I ever wanted All I ever needed Is here in my arms Words are very unnecessary They can only do harm
All I ever wanted All I ever needed Is here in my arms Words are very unnecessary They can only do harm
Enjoy the silence
Lacuna Coil - Karmacode - Enjoy The Siolence (cover)
Há noites que carregam um vazio que pesa... Que arrastam na sombra da Lua a memória que nunca foi de uma noite desmaiada. Há noites que me afundam em pianos surdos de catarses de ilusão e que rebentam em ondas perdidas no escuro de um grito inocente que é açúcar e fel... Noites que uivam o teu nome, em cada gota despida na névoa do teu olhar.
Já se vai ouvindo e sobretudo vendo, como é o novo projecto de Nick Cave versão Grinderman.
Aqui Cave é visceral, selvagem quase... O piano suave diminui o seu peso e a guitarra arranca acordes agressivos e enérgicos.
Este vídeo, do primeiro single do álbum, é prova disso. Será talvez uma mistura de "15 feet of Pure White Snow" com "Stagger Lee": a dança livre e desenfreada junta-se ao corpo, à pele e ao sexo.
Esta prenda, via YouTube (os srs. Tube não permitem colocar o vídeo aqui no blog), chega na mesma semana em que a caixa de DVDs e CDs da "Abattoir Blues Tour" aterrou aqui pelo meu castelo. Está correr bem esta semana!!
Confirmem a força poderosa que este senhor revela e como, a cada acorde e cada verso, comprova (e sem qualquer intenção especial ou necessidade disso) porque continua a ser um dos melhores compositores e escritores de canções de sempre.
É raro que um artista português veja o seu talento apreciado internacionalmente. É certo que a situação se vai invertendo mas em termos musicais, vamos continuar a ser o país do fado ainda durante algum tempo. O que me agrada. Da mesma forma que agradam os sucessos pontuais que bandas e artistas portugueses vão conseguindo além fronteiras como Madredeus, Moonspell, WrayGun e, obviamente, Mariza.
Pois bem, há um novo nome que provavelmente vai ser adicionado a este grupo, mesmo não sendo um nome conhecido do público português. Convenhamos, já li o nome deste senhor em algumas publicações nacionais mas daí a conhecer o seu trabalho ainda vai um passo largo. O senhor em questão é Oliver Paine (ninguém diria com o título que este post tem) e foi seleccionado para o grupo dos 16 finalistas na categoria de Folk/Singer Songwriter. Trata-se do International Songwriting Competition (ISC) e Oliver estava entre os cerca de 15000 que, por todo o mundo, concorreram ao concurso.
Se a isto acrescentarmos que fazem parte do júri, senhores como Tom Waits, Brian Wilson (Beach Boys), Robert Smith (The Cure) ou Frank Black (Pixies) e ainda presidentes de editoras como a Universal ou a Epic, então mais facilmente se compreende a honra de pertencer a este grupo.
E diga-se que foi muito bem escolhido. Não conhecia um único acorde de Oliver Paine mas após ter ouvido a novidade via Antena 3 e ter consultado o site do cantor, fiquei convencido. Os resultados do concurso serão ditados pelos votos do público por isso, não custa nada, e espreitem e votem nesta nova descoberta portuguesa, com origem no Entroncamento.
Para ouvir aqui (at MySpace) e aqui (site oficial, onde pode ouvir grande parte do novo álbum).
A nossa mente é um verdadeiro labirinto no qual, por vezes, nos perdemos ensurdecidos pelos silêncios que nos assolam. Somos remetidos para um espaço onde nos escondemos e escondemos aquilo que somos, ou então o único espaço onde somos realmente nós!
Para esta semana deixo-vos Labyrinth com L.Y.A.F.H.(Light Years Away From Here)
L.Y.A.F.H.
Call my name through the noises of this deafening silence I will hear your voice as an angel's cry The glow is painting a deep blue tapestry then I go...
Light years away from here in a corner of my mind where I can easily hide my real me from strangers' eyes
If you want the space is right for you and I so, follow me...
Light years away from here in a corner of my mind where I can easily hide my real me from strangers' eyes
Light years away from here in a corner of my mind I'll show if you want a new place for you and I
John Lee Hooker nasceu a 22 de Agosto de 1917, em Clarksdale, Mississipi. É um dos ícones mais marcantes da música negra… Os blues…
A enorme e longa carreira de Hooker começou em 1948, quando lançou o seu primeiro sucesso, “Boogie Chillen”. O estilo apresentado era um pouco estranho, como que meio falado ao som de uma guitarra arranhada… Um som que seria a sua “marca registada” durante toda a carreira musical…
Com um som livre, descuidado, seguindo os tons dos primeiros músicos de “delta blues”, Hooker marcou os blues americanos com o seu estilo casual e falado… As músicas identificam-se pelo uso de notas baixas e baixas frequências… O Blues sempre esteve profundamente ligado à cultura afro-americana, especialmente aquela oriunda do sul dos Estados Unidos, dos escravos das plantações de algodão que usavam o canto, posteriormente definido como "Blues", para embalar suas intermináveis e sofridas jornadas de trabalho…
John Lee Hooker teve imensos êxitos durante a sua longa carreira, onde destaco um álbum que editou com outros músicos – “John Lee Hooker and Friends”… Um grande álbum…
Hooker viveu os seus últimos anos em São Francisco, onde era dono de um clube nocturno – Boom Boom Boom…
Morreu a 21 de Junho de 2001… Perdeu-se um grande “blues man”, mas deixou ficar uma obra muito extensa, com mais de 100 álbuns editados…