Ontem escrevi-vos para gabar, o já idolatrado, Lost In Space Pt.I e II. Como não queria manchar o post com as asneiras que as editoras e distribuidoras nacionais fazem, decidi hoje postar uma má notícia para quem gosta de originais e prefere comprar discos em vez de comprar via download.
Desde que foram anunciados os dois EP’s de Avantasia, que o Tobias fazia publicidade às músicas que iriam surgir como pérolas. Os EP’s iriam partilhar a música Lost In Space e para além desta outras 10 músicas, seriam todas elas diferentes e divididas pelos dois CD’s.
Mas o mais cativante nisto tudo nem era o material único que iria ser revelado, o mais importante era o contracto que o Tobias tanto lutou para que a editora cedesse. Esse contracto era o de lançar os dois EP’s em simultâneo mas cada um a preço de CD-single, o que faria com que os fãs e admiradores do projecto conseguissem obter as duas raridades com inúmeras músicas e a preço de EP.
Infelizmente encontramo-nos em Portugal e, como é natural, há que ganhar dinheiro. Do meu ponto de vista as editoras e distribuidoras não querem saber do trabalho dos artistas, não ligam aos preços estipulados pela editora mãe e o que querem é ganhar dinheiro.
Se procurarem por Lost In Space em lojas on-line pela Europa fora, irão deparar-se com os EP’s a serem vendidos a preço de single, atingindo, quando muito, 8€. Mas em Portugal e porque cada CD tem mais de três músicas (6 para ser mais exacto), não se pode vender tão barato, pois trás muito material, então vamos pôr isto nos 12,5€ ou até mesmo 14€ pois é um EP puro com faixas multimédia e tudo.
Enojam-me essas editoras e distribuidoras que se choram com a pirataria e com o IVA ser um abuso e no final “chulam” os fãs, que na euforia de ouvir as novidades, não querem cancelar as reservas e encomendar on-line, preferindo pagar 28€ por dois EP’s que não deveriam custar mais do que 16€...
É por causa disto que eu prefiro mil vezes gastar dinheiro em concertos e assistir a duas horas de espectáculo, mas saber que parte do “guito” vai para a banda, do que pagar a estas sanguessugas que dão uma ninharia a quem tem o trabalho, a inspiração e a dedicação para fazer boa música...
Foram lançados no dia 16 deste mês que caminha para o fim… Mas só os pude ir buscar no passado dia 21. Falo-vos dos dois single’s/EP’s que saíram de Avantasia.
Já se tornava longa e desesperante a espera por este trabalho. Desde finais de 2006 que se sabia que Tobias Sammet ia mergulhar numa nova estória para Avantasia, mas o que esperar? Será que consegue atingir os picos de The Metal Opera Pt.I e Pt.II? Conseguirá o “Mestre” Tobias sequer construir mais uma obra de tal exclusividade sem que se repita? Pois bem, acho que os EP’s Lost In Space Pt.I e Pt.II respondem de forma simples e sinfónica a tais perguntas. Depois de os ouvir incessantemente durante estes últimos 5 dias, de adorar, como era de esperar, as covers de ABBA e Freddie Mercury, estou pronto para vos dizer que se o The Scarecrow estiver nos mesmos moldes destes dois EP’s, então estamos prontos para anunciar um dos favoritos a álbum do ano de 2008.
Mas melhor do que uma opinião de fã é mesmo ouvir ao que soa este “novo” projecto. Para isso deixo aqui Lay All Your Love On Me (ABBA cover) e The Story Ain't Over (que nos lembra The Metal Opera Pt.II)...
Os Clã gozam actualmente de um estatuto que os (re)coloca no grupo das principais bandas nacionais. A banda do Porto tem conquistado público muito graças aos singles que com argúcia vai editando e que enchem o airplay das rádios e vêm coleccionando apoiantes desde os primeiros trabalhos, o que já lhes garante uma base consistente de seguidores. Estes dois grupos estavam perfeitamente distinguíveis na noite do último sábado. Quando “Tira a Teima”, o single de apresentação do novo “Cintura”, se tornou perceptível, rebentaram os aplausos mas sempre que se ouviam temas de temas mais antigos notava-se uma certa indecisão em alguns dos presentes. Tanto uns como outros saíram do Theatro Circo de sorriso aberto.
Excelente concerto, bem preparado, com óptimo alinhamento e jogos de luzes muito bem estudados e que teve em Manuela Azevedo, como seria aliás de esperar, a figura central. Mas escrever “figura” é demasiado redutor. Porque não foi só a postura em palco, a irreverência, o cantar cativante e expressivo… A voz. Que voz! Se alguém tiver dúvidas que estamos perante uma das melhores cantoras do país que espreite uma qualquer canção dos Clã. Mas que ganhe coragem e o faça num concerto, para que não lhe restem dúvidas. Manuela canta a dor e o sorriso, o triste e o efusivo com a mesma facilidade e sentimento com que salta, brinca com aviõezinhos de papel e agradece, quase envergonhada, a presença de todos na sala.
O espectáculo iniciou com a previsível “Vamos esta Noite”, primeira canção do trabalho deste ano e daí arrancou para uma noite excelente que se durasse mais, ninguém se arrependeria. Houve os encores da praxe e demais fases do “código do concerto” mas houve muito mais. “Cintura” ficou apresentado e comprovou-se o que o álbum já não permite que se duvide: grande álbum.
Houve tempo para destacar a participação de Adolfo Luxúria Canibal (que muitos esperavam ver no palco) e para reforçar, não fosse a mensagem escapar, a letra de “Pequena Morte” composta por Regina Guimarães e que descreve o orgasmo…
Ainda assim, a minha surpresa ficou totalmente entregue aos sons dos álbuns anteriores que surgiram em outros formatos, com outros ritmos e energias diferentes. Destaque inolvidável para a versão acústica de “Sopro no Coração”…
Alguns dos presentes tinham conseguido bilhete na própria noite, segundo os mesmos, devido a desistências para ver o jogo da Selecção Nacional de Futebol. Diz quem viu que jogamos mal e saímos envergonhados com o 1-0. Na noite de sábado, quem esteve no concerto dos Clã ganhou 5-0… na final de um Europeu.
A Deusa do metal está de volta, com o seu segundo trabalho. Depois de um Henkays Ikuisuudesta em 2006 chega-nos agora My Winter Storm. Este álbum só vem relembrar-nos o poder da voz da menina Turunen…
Este álbum é obrigatório para fãs de Nightwish e apreciadores de boa música em geral.
Para terem um pouco a noção do que esperar deixo aqui uma versão Bónus de I Walk Alone.
Não há dúvida de que estamos a atravessar um período aparentemente feliz em termos de vendas de artistas nacionais. David Fonseca já passou pelo Top dos que mais vendem em terras lusas, Jorge Palma também já se sentou no topo e outras bandas e autores como os Clã, Rodrigo Leão e Tiago Bettencourt e os seus Mantha também por lá andam em posições razoáveis. Curioso e preocupante é que esta “coincidência temporal” de novidades. Com o ano quase a findar e após meses de pouca movimentação, lançam-se os novos trabalhos pouco antes do Natal, uma espécie de pré época do Mercado, para que os novos sons tenham tempo de se “espalharem” por todos até que, a pouco e pouco, alguns começam a cantarolar os refrãos e está o esquema montado. Não seria melhor distribuir estes trabalhos de forma distanciada para que nenhum roube espaço, e por espaço entenda-se negócio, ao outro? Claro que não! Mais do que vender muito, às editoras interessa vender “mais que”. E assim se faz a promoção dos sons lusos.
Felizmente, tratam-se de bons álbuns e assim a sombra que determinado trabalho pudesse fazer a outro pode ficar esbatida. Vejamos:
David Fonseca tem no seu 3º trabalho o seu registo mais trabalhado, mais profissional, se bem que, na minha opinião isso signifique maior contenção e menos irreverência – melhor momento “Dream in Colours” o tema que dá nome ao álbum;
os Clã com o novo “Cintura” viram a página “Rosa Carne” e regressam em formato popíssimo, no melhor sentido do termo, com um óptimo álbum, cheio de fôlego e pleno de boa disposição, com a voz de Manuela Azevedo doce como sempre;
Tiago Bettencourt tenta com os Mantha (Pedro Gonçalves dos Dead Combo e João Lencastre) afastar a faceta Toranja mas ainda não é desta que se extingue a memória dessa sua antiga (?) banda, mas é nos momentos em que essa memória se esbate que melhor soam os sons deste seu “Jardim” – melhores momentos “O Jogo” e “Outono”.
O que esta concentração de novidades provoca é uma focalização nas notícias do é o som nacional e que facilmente implica que muitos e bons fiquem por divulgar. Ora bem, apresento-vos então os Become Not, colectivo formado por João Pedro Guerreiro (voz), J.P. (sintetizadores) e Paulo Baeta (guitarras). Com arranjos bastante elaborados e uma sonoridade pouco usual, esta banda tem na sua estreia um álbum que me leva a crer que estamos perante a banda revelação 2007. Com som intimista, revelam uma capacidade singular de criar ambientes, invariavelmente calmos e simultaneamente envolventes. Obrigatório para quem procura conhecer o que de melhor se vai produzindo pelo país fora. Destaque para “I Am Right”, “My Wake Up Call” e “Blue Wish”. Para confirmar:
Uma semana depois do concerto de Rodrigo Leão no Centro Cultural Vila Flor, regressei ao mesmo espaço desta vez para assistir ao concerto de Seu Jorge. Depois de ouvir “The Life Aquatic Studios”, a homenagem personalizada do brasileiro a David Bowie, e “Cru”, era muita a curiosidade para confirmar ao vivo como resultavam os sons desses trabalhos e, esperava eu, do novo álbum “América Brasil”.
Não esperava era encontrar Seu Jorge aka Mané Galinha (era ele não era?) rodeado de 17 pessoas. Exactamente! 18 pessoas em palco, o que transformou o concerto em algo como Seu Jorge e a sua Big Band.
O concerto passou por todos os trabalhos do cantor e pouco mais de vinte minutos após o início do espectáculo havia já alguns que abandonavam os seus lugares para se aglomerarem nos corredores laterais da sala onde podiam dançar à vontade. Sim, dançar. Sobretudo porque o sangue brasileiro de Seu Jorge ganhava força em cada acorde e fosse um funk ou rock a música que se escutava facilmente se transitava para um samba ou, no mínimo, para um abanar de anca característico. Todos os temas chave do Brasil foram abordados. As favelas, a corrupção, o tráfico, o desemprego, a desigualdade entre classes, a falta de oportunidades, a falta de formação e educação, a política…. Mas também se cantou a amizade, o amor, a paixão e acima de tudo o voto de esperança de que tudo pode mudar, de que existe vontade e crença para inverter o processo que diariamente se desenrola. “Está nascer um novo líder”, cantou-se a uma determinada altura.
O carisma e o talento quer do cantor quer dos que o acompanharam ficaram bem patentes mas o prolongar de muitas das músicas, em pequenas jam sessions, arrastou por demasiado tempo algumas canções. Da mesma forma também o alinhamento seleccionado me pareceu pouco trabalhado, com quebras de ritmo no meu entender evitáveis.
A dada altura o palco pertenceu unicamente a Seu Jorge, período durante o qual se escutaram sons de “The Aquatic…” e em que se ouviu “São Gonça”, para mim o momento alto da noite.
Mas essa foi a faceta que menos se viu e escutou na noite de sábado. As letras algo sombrias, irónicas e afiadas continuavam mas em grande parte envolvidas por arranjos alegres e mexidos. A crítica social fez-se sempre ouvir e “Burguesinha” ou “Silicone” arrancaram muitos sorrisos na plateia, mas foi o final do concerto, quando o público foi convidado a subir ao palco que mereceu maior reacção por parte dos presentes. O samba, até aí sempre a pairar, apesar de envergonhado e em pequenos exemplos, rebentava e transformava a sala numa pequena rua em pleno Carnaval.
As condições de som nem sempre acompanharam a qualidade musical que se ia criando mas ficaram óptimos apontamentos para “América Brasil”, com sonoridades que chegaram a evocar Dave Matthews Band , John Butler Trio ou até Springsteen, obviamente sem nunca perder a ligação umbilical ao samba. A digressão continuou pelo nosso país e em Lisboa foi necessária uma segunda data tal foi a procura de bilhetes. Bom concerto e a confirmação de um músico que continua a prometer bons sons, sobretudo para aqueles que procuram duas horas de boa disposição.
Peço-vos a todos desculpa, mas só recebi hoje o mail... Os Corvus Corax não vêm só a Coimbra. As três datas a mais que eu desconhecia são em Almada, Braga e Corroios.
Mas para perceberem melhor deixo-vos aqui o e-mail que recebi de O Lado Negro bar:
“Hoje, terça 13 de Novembro pelas 22h, vamos ter n’ O Lado Negro bar a presença dos CORVUS CORAX num Meet & Greet com os fans portugueses antes das 3 datas nacionais:
- Braga, 15/11/07 no Censura Previa;
- Corroios (16/11/07) no Cine-Teatro;
- Coimbra (17/11/07) no Centro Norton de Matos.
Datas inseridas na sua tour pela Península Ibérica!
Os Corvus Corax são uma das bandas germânicas com maior sucesso na actualidade e apresentam um espectáculo musical de Folk/Tradicional/Medieval de gaitas de fole e percussão enriquecido por uma forte componente visual.
Desde as pequenas feiras medievais até aos maiores palcos dos grandes festivais internacionais, os Corvus Corax com a sua música energética e festiva têm a capacidade de agradar a uma miríade de franjas de público desde de Góticos a Metaleiros, de fans de música Folk, Tradicional e Medieval até ao comum dos mortais!
Aqui está uma rara oportunidade de confraternizar com a banda e dar as boas vindas à sua primeira visita a Portugal!”
Como não tenho hipótese de ir até Almada confraternizar, vou até ao Censura Previa escutar...
O meu obrigado ao O Lado Negro Bar pela divulgação.
Hoje foram-me comunicadas duas notícias às quais eu sabia que não ficava indiferente.
A primeira veio por intermédio de um grande amigo, o InFlames, que me comunicou algo que eu parcialmente já sabia, Nightwish a 18 e 19 de Abril de 2008 em Portugal, o que não sabia era que Pain vai ser a banda de abertura. Para terem uma ideia aproximada daquilo que senti, imaginem que vos sai o Euromilhões e quando vão reclamar o prémio, eles pedem desculpa pelo incómodo mas vai levar para casa o triplo do que foi anunciado, dá para perceber?
A segunda por intermédio da Nuclear Blast que já colocou no You Tube o primeiro single e vídeo-clip para Avantasia. Como seria de esperar, pois o projecto conta com Tobias Sammet e Sasha Paeth, a música entra pelos ouvidos dentro a uma velocidade estrelar e obriga-nos a ouvi-la repetidamente e vezes sem conta… Por isso deixo aqui algo que esperava à mais de um ano.
E não se esqueçam que a partir de dia 16 deste mês está à venda o duplo single com mais músicas e vídeos.
Sem dúvida um dos melhores álbuns de 2007 e um sério candidato a igualar as críticas do segundo álbum de originais, “Tales From the Thousand Lakes”, que foi um dos premiados com o melhor álbum de Metal do século XX.
Apesar de terem deixado o Doom/Death/Progressivo e andarem agora numa onda de Gótico Melódico, os Amorphis conseguem sempre colocar-se no topo da categoria com as suas características singulares, bem como das letras que constroem.
Para recordar deixo aqui Black Winter Day single para Tales From the Thousand Lakes e Silent Waters single e homónimo do último álbum.