Rufus Wainwright - Casa das Artes - 28.06.08

Confesso que fiquei tão surpreendido com a notícia dos dois concertos de Rufus Wainwright na Casa das Artes em Famalicão como quando se anunciou a vinda de Antony and the Johnsons ao Theatro Circo de Braga. Quer as duas datas anunciadas quer o local surpreenderam-me bastante mas felizmente que, ainda que por poucas vezes, os caminhos da música ao vivo no nosso país se vão invertendo.
Na noite de sábado, Rufus subiu ao palco para um excelente concerto. Bem disposto e inicialmente de orquídea ao peito, completamente sozinho, alternou entre o piano e a guitarra, passando por todos os seus trabalhos (são já 5)e até por músicas novas, algumas ainda em fase de aprendizagem, como o próprio admitiria.
Sempre que tinha oportunidade fazia uma pequena introdução à música ou então comentava o seu apoio à selecção alemã (tendo em conta a nacionalidade do seu namorado), dava a sua opinião sobre o teor "surreal" da cidade do Porto ou sobre o aroma a peixe que abunda quer no nosso país quer na Grécia.
Com a dose certa de provocação, bom humor e com uma noção de espectáculo impressionante, Rufus foi um verdadeiro "one man show". As músicas que melhor resultaram acabaram por ser as acompanhadas pelo piano, sobretudo porque nas restantes se sentiu mais a falta das composições elaboradas que normalmente seguem a sua voz. Por vezes, sentiu-se falta dessas quase orquestrações, manipuladas ao pormenor e alinhadas ao gosto do também compositor americano.
Houve tempo para estrear novos sons o que, diga-se, deixam óptimas indicações para o próximo álbum ("Zebulon" é um sucesso garantido).
Mas o que mais marcou a experiência do último sábado foi confirmar o talento e a voz de Rufus Wainwright. Por vezes, a sensação que ficava era a de que não implicava sequer esforço cantar daquela forma. Exemplar em todas as interpretações, chegou a registos melhores até do que nos próprios álbuns. Ficou também patente a exigência que impõe a si próprio, não se coibindo de se corrigir apesar de muito poucos na audiência se aperceberem do deslize.
Outro marco indissociável do que se assistiu na noite de sábado foi o silêncio que invadiu a sala ao início de cada música. Não era noite para coros ou palminhas. Rufus era a estrela da noite e comprovou todo o seu brilho.
Como a fotografia comprova: Brilhante!
Rufus Wainwright - "Who Are You In New York"







