Lambchop OH (ohio)...

Fica aqui a notícia de lançamento de mais uma bela obra (de certeza) destes senhores...



Este álbum será lançado em meados de Outubro de 2008, mas podem sempre tentar espreitar algumas das músicas espalhadas pela net...
Aconselho vivamente...
Boas audições musicais...

Festival Sudoeste 2008 - 1ª Parte


Quem já esteve num festival de Verão sabe que assistir a todos os concertos disponíveis é praticamente impossível. Quem já foi ao Sudoeste, para além de confirmar isso tem direito a ser abraçado por leves, constantes e intermináveis nuvens de pó. Ah, e poeira também...

Avancemos. E esqueçamos a viagem, ou as viagens, também elas prolongadas e frequentes. Chegados ao recinto, pouco antes de o palco principal arrancar, foi necessário ultrapassar o primeiro desafio: conseguir lugar para a tenda. Garantido o sucesso da tarefa, senti-me como o Tom Hanks, em "O Náufrago", após conseguir fogo. Primeira vitória.

Nesta fase, já os Clã tinham arrancado com o concerto. Chegamos perto do palco e já era perceptível que o concerto acontecia demasiado cedo. Ainda assim, os que estava a assistir, souberam saborear o momento e a festa que Manuela Azevedo e companhia souberam transportar para o ambiente festivaleiro. Concerto enérgico e abrangente, ao gosto dos apreciadores da banda e dos que conhecem apenas o que vai passando na rádio.

E assim, num estalar de dedos, e entre duas visitas à zona de alimentação, pouco depois das 22.30, eis que chega ao palco a razão para a alteração no alinhamento das bandas no primeiro dia de festival: Bjork. A cantora islandesa, com viagem marcada para a mesma noite, passou pelo festival para um concerto competente, praticamente suportado em "Volta", com a mesma irreverência e voz que habita cada um dos seus trabalhos. Espectáculo cénico q.b., sem excessos ou euforias, que contou com a presença de Toumani Diabaté, passou algumas (poucas) vezes pelos anteriores trabalhos, sendo que foram esses os momentos mais celebrados do concerto. Para além disso ficam também uns estrondosos "Declare Independence" e "Earth Intruders". Óptimo concerto que, apesar da recepção acalorada da plateia, merecia outro ambiente.

Bjork - Hyper Ballad

De seguida, e depois de um final quase apoteótico, chegou o rock/blues tuaregue dos Tinariwen, que não convenceu grande parte do público que ou se dirigiu para um dos muitos outros espaços disponíveis ou se deixou ficar frente ao palco mas a conversar ou a beber.

Ao longe, depois de vaguear pelo ainda relvado pisado verde amarelado do empoeirado recinto, ouviam-se os Balkan Beat Box, que entre outros sons menos interessantes insistia em reproduzir o som de um galo. Desconfio que quem não viu, não se vai arrepender.

A expectativa para o segundo dia estava entregue ao concerto dos Tindersticks. Pelo meio havia interesse em espreitar Rita Red Shoes e os Goldfrapp, sendo que muitos dos presentes queriam era a batida efervescente dos Chemical Brothers que, acrescento já, vi sentado e bem acomodado.

Como convém guardar algum tempo para fazer alguma refeição, quis a fome e o apetite que o concerto a dispensar fosse o de Yael Naim. Antes, Rita Red Shoes abria o palco principal. Percorrendo, como seria de esperar, "Golden Era", e desta vez com coro, Miss Red Shoes voltou a dar um concerto bastante eficaz, conseguindo a tarefa árdua de convencer muitos dos que deambulavam pelo recinto, para se aproximarem e acompanharem com palmas muitas das músicas retiradas do disco de estreia.

Rita Red Shoes - Hey Tom

Pouco depois de o Sol trocar de lugar com a Lua, o palco inundava-se de talento. Os Tindersticks, tripulados por Mr. Stuart Staples, subiam a uma nau de nome "The Hungry Saw" e transformavam o espaço em frente ao palco numa maré de veludo. A miudagem (que era muita!!), aguentava-se em esforço face a uma banda que nada lhes dizia. A banda não cantava sobre a mesada dos pais, nem sobre os tpc por fazer, e pior que isso não tinha batida, o que justificou que muitos, ainda assim insuficientes, fossem procurar um anúncio aos Morangos com Açúcar ou ao acne. Ao meu lado, uma espanhola comentava com a amiga que o cantor lhe provocava arrepios...
Ouviram-se músicas novas e sucessos antigos mas faltou tanto que o tremendo concerto (faltou apenas subir um pouco mais o volume) que passou pelo Festival se tornou insuficiente para satisfazer longos meses de espera. Mas já tinha a noite ganha....

Tindersticks - Turns we took

O resto da noite foi uma agradável conversa entre uns Goldfrapp a cumprir os mínimos, com bons momentos, mas sem deixar marca, e um concerto dos Chemical Brothers, a banda que conquistara mais público até esse momento. Batidas frenéticas, luzes e explosões de néon, "hey boy, hey girl" no volume máximo, mas uma fórmula que de tão repetida se tornou cansativa e sem novidade.

E assim, chegava o festival a meio... sem ter espreitado convenientemente qualquer um dos outros palcos.
(to be continued...)

Uma Pequena Palavra... Para Uma Sonoridade Portuguesa...

Ao percorrer por alguns álbuns e artistas escondidos no baú, encontrei este senhor...
Júlio Pereira, e o seu álbum de 2007, Geografias...



... Do qual destaco esta música...


Areias de Sal!
Memorável...

Boas audições musicais...

Lindsay Mac... Mais Uma Proposta...

Lindsay Mac é compositora, violoncelista (instrumento que começou a aprender com 9 anos de idade)... E tem esta voz... Fantástica...





Esta senhora é natural de Boston - USA, e faz-nos ouvir um estilo de música que se encaixa no indie/folk/alternativo... Sempre complicado conotar os estilos, mas... Também concordo que é um som alternativo, com uma musicalidade espantosa... Mas...

Lindsay Mac oferece-nos uma nova forma de olhar para a música eletroacústica, combinando indie/folk/alternativo com a estrutura musical despida, apenas com voz e violoncelo.

A sua música é maravilhosamente diversificada e memorável, contendo raízes na música jazz, folk, americana, funk e rock, indie, não apresentando um gênero específico... Como disse, complicado definir um estilo musical...

Esta menina/senhora traz com ela um novo álbum para este ano de 2008, Small Revolution... Fica aqui um pequeno desvendar deste novo álbum...



Fica a proposta...
Boas audições musicais...

Peixe:Avião

Encontro-me ao volante. É uma qualquer noite igual a tantas outras noites, a uma hora incerta, num momento que não posso precisar, tudo ficou esbatido perante uma sonoridade nova, plena de garra que me fez exclamar: “Isto é muito bom!”. O seu nome? Peixe:Avião.

A banda de Braga prepara-se para lançar o seu novo álbum “40.02” a 15 de Setembro, mas o apetite mantém-se constante desde aquela noite, ligeiramente saciado por inúmeras passagens pelos nossos tão queridos MySpace e YouTube.

A invasão da boa música portuguesa continua à medida que vão surgindo novas bandas, novos sons que fazem despertar nos ouvintes, novos sentimentos, novos patamares, novas maneiras de apreciar música.

O grande Doutor da música bracarense Adolfo Luxúria Canibal não poupa elogios à banda e inclusivamente descreve num “Press Release” tudo de novo que a banda atrai e fornece ao panorama da música nacional. A afirmação é clara e expressiva, o que mais espanta “…é a portugalidade que irradia, como se de repente tudo o que nos habituamos a associar à alma portuguesa, a melancolia dos seus poetas, o singelo das pequenas coisas, se cristalizasse em sons e palavras. Esqueçam o fado como Amália o popularizou e é macaqueado de Portugal ao Japão: o novo fado do século XXI é peixe:avião!”

Entre as faixas disponíveis destacam-se “A espera é uma arame” que começa a emergir nas nossas rádios tal e qual peixe que ganha asas e se transforma em avião…

Pessoalmente gostaria de destacar “Mar Capelo”, e afirmar desde já que o pequeno auditório do Theatro Circo vai ser insuficiente para abraçar a banda conforme merece.

Escapa-me também um lamento e uma certeza. A pouca sorte de não poder comparecer no dia 23 de Agosto em Guimarães, crescente pelo facto de estarem acompanhados pelos “Mundo Cão”, e a certeza que estarei nas primeiras filas no dia 13 de Setembro no Theatro Circo.

Por último, gostaria de agradecer aos meus grandes amigos e criadores do blog, a oportunidade para estas participações esporádicas.

Muito obrigado.

Edbraga

KLIMT1918

Melancolia directamente de Roma para os nossos ouvidos... Estou ansioso por ouvir o registo, aqui fica a nova mostra, The Graduate:

Klimt 1918 - Just In Case We'll Never Meet Again - The Graduate - 2008

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Esta Noite Acompanhado Por...

Estes senhores da música brasileira... Do mundo...
Isto é património mundial... :-)

Fica um "cheirinho" das músicas e letras fantásticas que nos chegam do outro lado do atlântico... Pela voz de Tom Jobim... e João Gilberto...





Fantástico! Relembrar antiguidades... Imortais e intemporais...
Boas audições musicais...

Um álbum para recordar...

Nestes dias de início de Agosto, em que não estamos de férias, mas também não existe grande vontade de trabalhar... Ficam vontades diversas espalhadas...
Mas...
No meio desta "preguiça de início de férias e fim de trabalho", lá fui vasculhar o meu armário de cd's... Talvez à procura daquele álbum, daquele!
Lá no fundo!
Que ouvimos sempre que todos os outros nos parecem enfadonhos, cansativos, repetitivos...
O que saiu? Bem, saiu da prateleira uma preciosidade, que para mim é um dos melhores álbuns que tenho no meu baú...

Intenso, com personalidade, arrepiante em certa alturas, profundo... Cuidadosamente estruturado, com altos e baixos a nível instrumental...
Sempre que o oiço, fico incrivelmente espantado como é que com apenas duas personagens é possível montar um espectáculo estrondoso!! Mas não são duas vulgares...
Estamos a falar de Dave Matthews e Tim Reynolds...!





Com esta imagem e estes sentimentos, deixo-vos esta relíquia de 1999, desejando boas férias a todos e boas audições musicais...
Abraço!

Festivais

No início, os festivais nasceram quase como cogumelos e a Norte era onde se encontravam mais exemplos. Paredes de Coura, Vilar de Mouros, Arcos de Valdevez, Ermal, Carviçais...
Chegados a 2008 só 2 sobrevivem enquanto a Sul, para inglês ver, temos Allgarve, Sudoeste, Super Bock Surf Fest, Alive, Super Bock Super Rock (a meias com o Porto), Delta Tejo...

Não bastasse a enchente de concertos a que o povo da capital tem direito agora também o Verão musical é desenhado a Sul.

Depois de perder Coura 2008, estão as baterias apontadas à Zambujeira do Mar, onde se garantiu o cartaz mais chamativo mas também mais caótico.

Ter os Tindersticks antes dos Chemical Brothers ou Goldfrapp é um erro tão grande como decidir colocar Vanessa da Mata como cabeça de cartaz na noite sábado. E os Xutos... Que fazem os Xutos entre tanta banda?

Ainda assim, a mesma personagem que há uns dias atrás falava em coerência vai até ao festival da Zambujeira. Muito mais porque é a forma mais simples, e acreditem que simples é dizer muito pouco do que vai acontecer, de estar com alguns amigos durante as curtíssimas férias.

Na semana seguinte o destaque vai para este cartaz:


Viana não é só o Anti-Pop...

Objectivo para férias: estar com os amigos. Soa fácil mas a vida não tem deixado...


LCD Soundsystem - All My Friends

Sigur rós - með suð í eyrum við spilum endalaust


"með suð í eyrum við spilum endalaust", o 6º álbum de originais, os Sigur rós regressam em grande. O teor mais descontraído e menos preparado do novo registo em nada diminui os novos sons da banda islandesa.

Quem afirmar que a versão 08 da banda representa uma viragem no seu som ou não ouviu todo o álbum ou então não conhece o que aconteceu antes de "með suð...". Para além de editarem o álbum menos pronunciável da carreira da banda, garantem com o novo registo um som mais abrangente, mais assimilável mesmo para quem não apreciou os primeiros trabalhos. E talvez seja aí que reside a principal diferença: a componente mais "relaxada" exprime-se unicamente no sentido menos complexo que compõe "með suð...".

Se quando ouvi "Gobbledigook", o single de avanço, cheguei a acreditar que o som seria eminentemente alegre e radiante, agora não restam dúvidas que este é o álbum mais esquizofrénico do ano. E talvez por isso tenha lugar certo nos melhores que ouvi em 2008.

O arranque é fulgurante, com ritmos enérgicos e acelerados, numa combinação quase que tribal, sempre frenética. Passados 7 minutos após o Play, arranca "Gódan daginn", mais compassada, intimista e distante. Ainda a alma sossega e se recolhe e eis que arranca "Vid spilum endalaust", a música com mais luz, energia e sorrisos de todo o álbum. À faixa 5 surge o melhor exemplo, o melhor retrato de "með suð...". Doce, de tom próximo e recolhido, emerge a caminho dos 5 minutos numa tempestade de ribombares e tormentas de guitarra, num caos de esperança enfurecida, em apoteose, seguramente indescritível quando tocada ao vivo.

Ficasse o álbum por aqui e tínhamos som suficiente para discutir durante horas. Porque o som etéreo dos Sigur Rós assim o permite. A letra imaginada ou quando verdadeira, longe do inglês corrente, lança pontes à imaginação e retalha o quotidiano com melodias irresistíveis.