Macro nano
Vivemos quotidianamente um conflito dimensional. Ditam a ciência e a actualidade que tudo deve ser, no mínimo, micro. A vontade é que arrisquemos a grandiosidade e almejemos o nano. Eis-nos alinhados para o irrisório, para o quase nada.
E tudo e todos devem acompanhar a onda, também ela diminuta, silenciosa.
Exigimos tudo na hora, preferencialmente em embalagem simplificada e individual. Comunicamos com telégrafos portáteis, consumimos música no formato mais invisível possível e até os processos fiscais e burocráticos se anunciam "simples".
Facilitamos a complexidade e aceleramos o apetite voraz pelo agora, pelo que o Eu nos exige. E assim, diariamente, vamos perdendo a noção do outro, perdendo a capacidade de gerir e sentir o enorme, o desmedido. Não compreendemos o Amor, a Amizade ou o Tempo, hipérboles da grandeza.
E até o Sonho, incomensurável, se vê adiado, simplificado, em espartilhos de sobrevivências ocas.
Já não ambicionamos o Mar, preferimos-lhe o sal. Ignoramos o Céu, basta-nos esta nuvem de neblina que nos esconde.
Já esquecemos o infinito... É muito longe.
Massive Attack - Inertia Creeps
E tudo e todos devem acompanhar a onda, também ela diminuta, silenciosa.
Exigimos tudo na hora, preferencialmente em embalagem simplificada e individual. Comunicamos com telégrafos portáteis, consumimos música no formato mais invisível possível e até os processos fiscais e burocráticos se anunciam "simples".
Facilitamos a complexidade e aceleramos o apetite voraz pelo agora, pelo que o Eu nos exige. E assim, diariamente, vamos perdendo a noção do outro, perdendo a capacidade de gerir e sentir o enorme, o desmedido. Não compreendemos o Amor, a Amizade ou o Tempo, hipérboles da grandeza.
E até o Sonho, incomensurável, se vê adiado, simplificado, em espartilhos de sobrevivências ocas.
Já não ambicionamos o Mar, preferimos-lhe o sal. Ignoramos o Céu, basta-nos esta nuvem de neblina que nos esconde.
Já esquecemos o infinito... É muito longe.
Massive Attack - Inertia Creeps



