Macro nano

Vivemos quotidianamente um conflito dimensional. Ditam a ciência e a actualidade que tudo deve ser, no mínimo, micro. A vontade é que arrisquemos a grandiosidade e almejemos o nano. Eis-nos alinhados para o irrisório, para o quase nada.

E tudo e todos devem acompanhar a onda, também ela diminuta, silenciosa.
Exigimos tudo na hora, preferencialmente em embalagem simplificada e individual. Comunicamos com telégrafos portáteis, consumimos música no formato mais invisível possível e até os processos fiscais e burocráticos se anunciam "simples".

Facilitamos a complexidade e aceleramos o apetite voraz pelo agora, pelo que o Eu nos exige. E assim, diariamente, vamos perdendo a noção do outro, perdendo a capacidade de gerir e sentir o enorme, o desmedido. Não compreendemos o Amor, a Amizade ou o Tempo, hipérboles da grandeza.

E até o Sonho, incomensurável, se vê adiado, simplificado, em espartilhos de sobrevivências ocas.

Já não ambicionamos o Mar, preferimos-lhe o sal. Ignoramos o Céu, basta-nos esta nuvem de neblina que nos esconde.

Já esquecemos o infinito... É muito longe.


Massive Attack - Inertia Creeps

Emily Jane White


O seu nome é Emily Jane White e assina o álbum "Dark Undercoat", resultado de anos de escrita e composição de canções.

Com uma sonoridade bastante próxima de Cat Power, tece as suas composições, de forma sombria, carnal até, com histórias interpretadas de forma simples, mas directa e emotiva.

www.emilyjanewhite.com
www.myspace.com/emilyjanewhite


Emily Jane White - Dagger

De volta... Com algo do passado...

Quebro o silêncio e o “jejum de recortes” com este comentário...

Que eu seja bem-vindo novamente a este espaço que tanto tem sobre quem por cá deixa umas palavras e músicas... E desta forma dou as boas vindas a todos que por aqui passam para a entrada neste ano de 2009, desejando que a viagem neste novo ano traga um renovar de objectivos, sonhos e conquistas...

Embora pareça que este “post” seja completamente fora de tempo, foi algo que me passou pela cabeça... Foi algo completamente inesperado para mim vir aqui falar desta música e álbum...
Tinha este álbum aqui guardado, e ontem estive a ouvir durante a complicada tarde de trabalho, tornando alguns momentos do dia em instantes que fazem bem à alma...

Nestes momentos surgiram sentimentos de cumplicidade, sintonia, bem-estar em mim... Encaixou de forma perfeita e harmoniosa numa tarde de trabalho chuvosa e fria, aquecida por esta música que hoje venho aqui mostrar...

Remontando aos tempos longínquos de 1999, quando surgiu este grande álbum "Secret Name", onde consta esta fantástica música... “Weight of Water”... Venho então recordar este álbum, e esta música em particular...

Espero que gostem...
Boas audições musicais...




Take a cupful from your hand
Wait for forty days
Make a river through the sand
'Til you're called by a secret name
And the weight of the water has brought me back to this
Just leave me to the river
Let it cleanse my face
I have no power to ward it
Like the baptism of the earth
And the weight of the water has brought me back to this
And the step where you stood
As I bleed from the wound
How I cower to that weight
Still I'll make this water home

Obrigatório



Quem conhece a voz de Antony Hegarty não vai encontrar em "The Crying Light", o seu novo álbum, uma viragem completa face aos trabalhos anteriores. A voz mantém-se surpreendente, mágica e incomparável, e a cada canção Antony continua a entregar a sua alma.

Mas há aqui uma nova abordagem, com melodias mais doces, ainda que por vezes algo sombrias e dolentes. Cada momento está desenhado de forma a acompanhar a voz de Antony, simultaneamente frágil mas plena de força e crer.

Em "The Crying Light", o cantor/intérprete opta por alterar as regras da mensagem que transmite e acrescenta tons de esperança, em arranjos e cânticos que são absoluta liberdade.

Ligeiramente mais distante dos ambiente mais rígidos e até clássicos de "I Am A Bird Now" ou do seu trabalho homónimo, chega a ler-se felicidade ao longo de todo o álbum. O que nos anteriores trabalhos se recebia como lamento ou dor, transmite agora carinho, confiança e até algum arrojo.

A verdade, seja devido às inúmeras colaborações que manteve nos últimos anos, seja graças ao apoio que Antony tem recebido por parte do público e crítica, é que Antony abandonou o casulo. E o resultado é "The Crying Light": álbum magnífico, entre a Luz e a redenção, entre a reacção e a paixão.

Ouçam "Kiss My Name", "Aeon" ou "Everglade" e, com apenas um desses três exemplos, têm a garantia que 20 dias depois do início do ano, o Mundo ficou a conhecer, no mínimo, um dos melhores álbuns de 2009.

E por isso impõem-se a imagem sobredimensionada, enorme, exacerbada. Porque é assim a música de Antony em 2009: um afago que sobrevive ao lúgubre e irradia paixão.

P.S. Brevemente, os melhores Recortes de 2008. A música que acompanha este post faz parte da lista e está incluída no EP "Another World" de Antony.


Antony and the Johnsons - Shake That Devil

Boas notícias

P.J. Harvey - 2 de Maio - Casa da Música

Silence


Wilco - 30 de Maio - Theatro Circo

Sky Blue Sky

Importa-se de repetir?


"Se eu sei que uma jovem europeia de formação cristã, a primeira vez que vai para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas, imagine-se lá"

"Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam."

D. José Policarpo - Cardeal-Patriarca de Lisboa



God - John Lennon

Recordação



Mad About You - Hooverphonic

2009 e a ubiquidade

Depois de uma despedida para férias o Recortes regressa, agora com o carimbo de 09.

A pausa, recheada a doces, dissolveu o negrume que parecia ter conquistado moradia para meses e é com um muito satisfeito Recorte que desejo a todos um óptimo 2009!

Ultrapassada a secção do obrigatório (durante quanto tempo é que temos que desejar bom ano; se vir pela 1ª vez um amigo em Junho tenho que desejar "bom ano" numa das primeiras 3 frase?!), o que se prevê para a colheita deste ano?

Não, o tema de hoje não envolve crise, deflações ou Constâncios. Sobretudo porque, musicalmente, este ano promete bons momentos. Depois de um 2008 relativamente regular, sem um álbum que me tenha soado inolvidável ou revolucionário, apesar de ser possível reunir um conjunto considerável de muito bons álbuns, as primeiras notícias dão conta de regressos, concertos e discos que devem garantir bastantes alegrias.

Nomes como os de Andrew Bird, Antony and the Johnsons, Franz Ferdinand ou Dave Matthews têm novos trabalhos já agendados. E podemos sempre ter alguma esperança que os Massive Attack regressem, que Nick Cave continue em imparável sucessão de novos trabalhos e que bandas como os Arcade Fire, The National, Pearl Jam ou Radiohead apresentem novidades ...

Para além disso, nos 2 primeiros meses, os cartazes mais interessantes passam pelos Deolinda, Sir Richard Bishop, Maria João e Mário Laginha, Mogwai, Esperanza Spalding, Kaiser Chiefs, Oasis... Ou seja, existe oferta para todos os gostos. Infelizmente, não para todas as carteiras ou localizações geográficas...

Se a estes nomes somarmos o Festival para Gente Sentada que em Fevereiro garante concertos intimistas de Giant Sand, Chuck Prophet, Chris Eckman (dia 13), e Manel Cruz e Josh Rouse (dia 14), então temos um arranque bastante satisfatório.

Ou não! Não, porque o novo ano não me trouxe o dom da ubiquidade... O que significa que vou perder o 2º dia do Festival para Gente Sentada. Porquê...?

A notícia pode, finalmente, ser confirmada no site da banda:

Tindersticks - dia 14 de Fevereiro - Casa da Música


Tindersticks - The Hungry Saw