Oceansea


Chamam-se Oceansea e é certamente um nome a memorizar durante os próximos tempos. Os Oceansea são apenas e só Daniel Catarino que do seu Alentejo lança um óptimo folk bucólico, em formato acústico.

"Songs From The Bedroom Floor" é o álbum de estreia, com download possível aqui ou seguindo as instruções no site da banda at MySpace em: www.myspace.com/oceanseamusic.

  


Bom fim de semana!

Festival para Gente Sentada - Dia 1 - 13.02.09

Este post tem de começar com um agradecimento à Ant3na. Não fosse o bilhete conquistado à enésima tentativa na 2ª feira da semana da realização do festival não tinha estado no Cine Teatro António Lamoso para o 1º dia da edição deste ano.

No cartaz para esse dia estavam Chuck Prophet, Chris Eckman e os Giant Sand. Ou seja, esperava-se uma noite entre o rock e a folk, num ambiente pleno de sonoridades americanas.

Quem esperava algo diferente saiu certamente desapontado pois durante toda a noite não se alterou o registo.

Prophet terá sido o que mais se aproximou do rock mais puro e de sons mais eléctricos, chegando mesmo a ter a companhia de Howe Gelb e os seus Giant Sand. O momento da entrada dos músicos, em plena actuação deixou muitos dos que assistiam bastante surpreendidos mas também permitiu confirmar que eram poucos os que reconheciam quem actuava nessa noite, tendo em conta que poucas reacções se ouviram.

Prophet devolveria mais tarde o apoio, colaborando em alguns sons dos Giant Sand, situação que imagino não ser única tendo em conta que a sua participação nas primeiras partes de alguns espectáculos da banda de Gelb. Espectáculo q.b. animado, mas sem grandes momentos. Valeu a pena pela boa disposição e o humor de Prophet.

Chuck Prophet - live at Gente Sentada 2009

Ainda alguns aplaudiam Prophet e já Chris Eckman se lançava para o palco. Elemento dos Walkabouts, tem participado em outros projectos e foi inteiramente a solo que o cantor/giitarrista se apresentou. Após um compasso de espera, claro, que o público do Lamoso já se encaminhava para o pequeno bar à entrada, para temperar o ambiente morno que se vivia. Iniciado o concerto Eckman revelou-se simpático, comunicando com o público quer sobre alguns momentos da sua vida quer sobre o inevitável Obama.

Chegou mesmo a confessar que com a saída de Bush alguns dos seus sons dos últimos anos ficam sem um rosto tão evidente. Proporcionou bons momentos, num ambiente um pouco mais intimista, sempre recorrendo a um tom próximo de Lannegan ou Waits, mas com uma cadência mais Pop que qualquer um dos que passaram pelo palco na noite de 6ª feira 13.

Chris Eckman - live at Gente Sentada 2009

Os Giant Sand encerraram a noite. Conseguiram um concerto directo, sem rodeios ou demasiada encenação, onde se ouviram alguns dos sons que integram os álbuns mais recentes ("Provisions" e "Provisional Supplement"). Gelb é certamente um senhor bastante imprevisível em palco, como facilmente se confirmou na postura que muitos dos seus colegas adoptaram, claramente aguardando ou prolongando sons de forma a conseguir compreender para onde rumava o cantautor. E grande parte do concerto desenrolou-se desse modo: Gelb ao leme e toda a banda na expectativa, acompanhando-o.

Ficou também evidente o carácter mais experimental (quase que insano) do vocalista, chegando a lançar para o piano um objecto que não consegui identificar mas que provocava uma distorção de alguns dos sons. Gelb divertia-se a colocar a peça em diferentes zonas do piano, enquanto ia tocando piano... Nota também para a boa participação de Lonna Kelly, que acompanhou a banda em algumas das canções. Na minha opinião, acabou por se tornar um concerto demasiado longo sobretudo dada a cadência sonora, eminentemente lânguida, arrastada... e demasiado "americana".


Giant Sand - live at Gente Sentada 2009

Passaram bons momentos pelo Cine Teatro António Lamoso e ficou muita curiosidade para saber como seria o dia seguinte, com a estreia de Manel "Foge Foge Bandido" Cruz e Josh Rouse. Mas já me tinha comprometido com os Tindersticks...

Olha outro...



"Quando se juntam dois homossexuais, eles ou elas, se há crianças, evidentemente, aquela união, aquele casamento, não pode providenciar a formação das crianças."

(a homossexualidade) "não é normal no sentido de que a Bíblia diz que, quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher."

Mais uma vez a Imprensa trata de explorar e divulgar algo que todos já deviam saber: a Igreja Católica não aceita a homossexualidade. Ponto final.

Enredada na sua própria doutrina, qualquer resquício de aceitação face a este assunto (como acontece em muitos outros) é um sinal de negação e de confirmação de logro, pelo que se exige contestá-lo e contrariá-lo. No fundo, o que os comentários do senhor Cardeal Saraiva Martins comprovam é a continuidade de uma abordagem que nega qualquer abertura à sociedade porque isso implicaria necessariamente a sua derrota, um harakiri católico.

A sobrevivência do Clero é sobreposta à igualdade entre sexos. Neste tema, dificilmente Darwin comprovaria a sua teoria, porque nesta situação não existirá qualquer adaptação, qualquer mutação. Apenas intransigência, cegueira e egoísmo.

Mas desta vez não ficamos por aqui... A forma leviana e mal preparada como o senhor cardeal se refere à família e à educação das crianças merece também ser sublinhada:

"Porque uma criança, para ser formada normalmente, precisa de um pai e de uma mãe e não de dois pais ou de duas mães."
"A educação daquelas crianças não pode ser uma formação normal, se não forem formadas por um pai e uma mãe, não por dois pais e duas mães."

Bravo!! Proponho uma ovação em pé para o senhor Cardeal, que em cerca de 50 palavras conseguiu não só encontrar a fórmula para uma educação "normal", como também relegar todos os filhos de mães e pais solteiros, bem como os órfãos e todos que não passem por uma formação que inclua um pai e uma mãe.

Imaginem só alguém criado por uma avó?! Ou um tio?! Impossível! Ou pior, imaginem alguém educado por desconhecidos, numa instituição de solidariedade de influência católica? Uma daquelas tipo Casa Pia...?


David Ford - Go To Hell

Em vésperas de sentar...

Em vésperas de Festival para Gente Sentada ficam aqui dois Recortes que facilmente poderiam integrar o cartaz.


Chamam-se Hotel Lights e em 2008 editaram o bastante interessante "Firecracker People". Pop/folk melódico, com sons próximos de bandas como os Iron and Wine ou os Hobotalk.


Hotel Lights - Amelia Bright



O Little Joy são um colectivo formado por Rodrigo Amarante (dos Los Hermanos), Fabrizio Moretti (The Strokes) e Binki Shapiro e editaram no final do ano passado o seu (homónimo) álbum de estreia. "Next Time Around" foi o single de apresentação. Folk americano com sotaque brasileiro.


Little Joy - Next Time Around

Sir Richard Bishop - Theatro Circo - 31.01.09

Tenho de admitir que o anúncio da vinda de Sir Richard Bishop foi uma total surpresa. Maior ainda quando foi confirmado o concerto no Theatro Circo. Surpreendido, porque apesar de o talento e a performance de Bishop serem incomparáveis, o concerto estava programado para espaço principal da sala de espectáculos de Braga. Infelizmente estava certo e a cidade minhota recebeu Bishop com uma sala praticamente vazia onde contei cerca de 50 pessoas.

Bishop aproveitou até esse facto para ironizar, agradecendo os aplausos, esbracejando semi-vénias direccionadas às galerias vazias...

Do alinhamento constaram, entre outros, vários registos de "While My Guitar Violently Bleeds" assim como uma versão de "Somewhere Over the Rainbow".

Pouco interveniente e bastante reservado, proporcionou uma hora de espectáculo aos 50 resistentes que rumaram ao Theatro Circo e que puderam apreciar a perícia e o talento que Bishop empresta a cada composição.

Capaz de atingir ritmos frenéticos, criando a sensação de estarmos perante várias guitarras, alterna esses momentos com mudanças de ritmo repentinas, sempre em ambientes que sobrevoam os continentes americano e asiático, numa fusão impressionante.

Pouco reconhecido actualmente, ficará na História, na galeria dos virtuosos da Guitarra.


Sir Richard Bishop - live at Maxime
Tenho que admitir que já há algumas semanas que algumas das palavras que hoje deixo aqui ficar me torturavam. O efeito era esperado tendo em conta que 2009 é um ano ultra eleitoral mas sinceramente não contava com tanta falta de bom senso e tanta desorientação.

A última gota está neste cartaz...


Não vou sequer questionar se a justificação das "jotas" reside na possibilidade de optar por campanhas mais agressiva (a sua indissociação do partido principal responde a esse argumento). O que me deixa mais surpreendido tem sido a crispação que tem existido em todos os quadrantes políticos nacionais. A mínima oportunidade é aproveitada, ora para processos de vitimização próprios de uma novela mexicana, ora para ataques políticos mal fundamentados e sem consistência.

Na Assembleia da República, os debates quinzenais, outrora aproveitados unicamente para anúncios governamentais, são agora um belo reflexo de como se discute numa assembleia da América Central. Tais são os gritos lançados por todos que dá a entender que existe uma barreira entre cada deputado, um biombo invisível que obriga a que o berro impere.

Experimentem ver e ouvir Paulo Rangel (um dos erros mais literalmente gritantes da gestão de Ferreira Leite) a "contestar" Sócrates, igualmente incapaz de qualquer resposta directa, optando invariavelmente por gritar e contra atacar com vitimizações e lamúrias irritadas.

Muita desta discussão deve-se à imagem, ao culto do parecer. E mais uma vez, a discussão desenvolve-se à volta do insignificante, do pormenor.

Daí que a minha desilusão seja transversal. Da oposição à Sócrateslândia, da Europa à Obamérica.



"We must accept finite disappointment, but never lose infinite hope.”
Martin Luther King, Jr.


Morrissey - Disappointed

Ah Camelo!




Marcelo Camelo com Mallu Magalhães - Janta

Playmobil


Há dois dias atrás não fazia a mínima ideia quem seria Hans Beck, o que é bastante injusto tendo em conta o que as suas criações representaram para a minha infância.

Pois bem, este senhor foi o criador dos brinquedos Playmobil, comercializados pela primeira vez em 1974 pela empresa Geobra Brandstätter.


São inúmeras as horas de divertimento infantil que devo a este senhor alemão, na companhia dos seus bonecos de sorriso de quem não paga impostos. Em linguagem inteligível para as gerações actuais, os Playmobil permitiam uma espécie de Sim City "live" e sem teclado ou monitor, facilitando a imaginação e sem impor quaisquer barreiras à criatividade.

Como sempre, estes elogios surgem só depois do inevitável... Hans Beck faleceu na última 6ª feira, aos 79 anos, e deixou no seu testamento milhões de sorrisos de recordação.


Toy Box - Portishead